Caminhar por Lisboa: um livro que nos propõe sete passeios através da cidade

por • 15 Junho, 2016 • Dicas & Bicadas, SlideshowComentários (1)1464

Encontro com Anísio Franco, autor de “Caminhar por Lisboa”, um guia que nos ajuda a descobrir Lisboa, com os pés no chão e a cabeça na História. “Esta é uma cidade orgânica, viva, que nunca deixa de nos surpreender”, afirma o autor desta obra que sugere sete percursos pela capital. Uma cidade repleta de palácios escondidos dos olhos da maioria.

 

Texto: Rui Lagartinho          Fotografias: Paula Ferreira

 

É quase uma Lisboa de lés a lés, dividida em sete etapas. Há muito que Anísio Franco tinha este livro na cabeça, por isso, foi só convencer o autor a sentar-se mais horas que o habitual para que “Caminhar por Lisboa” (Porto Editora) ficasse pronto. Foram seis meses em que o autor assume uma dificuldade. “Tive de me conter e de apelar a um espírito de síntese. Procurei ser uma espécie de amigo invisível, que está ao lado do leitor nestas suas deambulações pela cidade”, confessa.

 

Sete caminhos feitos de pedras, da calçada e dos palácios, de esquinas que se viram, ou não, ao sabor das emoções: “Continuo sempre a surpreender-me com a morfologia desta cidade. É uma cidade orgânica, viva, que nunca deixa de nos surpreender”.

 

Uma das surpresas reservadas a quem folheia este livro é a profusão de palácios que a cidade, apesar de tudo, esconde. Cai por terra a ideia que Lisboa não é uma cidade monumental. Anísio Franco acrescenta um pequeno detalhe. “Reparem que os palácios foram quase todos começados em grande, mas raramente terminados. A conjuntura económica, com ciclos de curta prosperidade económica, determinou, quase sempre, a suspensão temporária ou mesmo definitiva dos trabalhos em curso. A excepção é Mafra. Muitos destes palácios tiveram os seus anos loucos, quando, há quase cem anos, foram transformados em casinos, como foi o caso do Palácio Foz, nos Restauradores”.

 

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Confrontar Anísio Franco com qualquer mistério sobre a toponímia é entrarmos num raciocínio dedutivo, até chegarmos à resposta final. Quase um dominó de associação de ideias. Comprovámo-lo, quando trouxemos à conversa o mistério da origem do nome Beco do Imaginário, algures entre a Mouraria e a Graça: “Nessa encosta, trabalhavam muitos escultores que, na altura, eram conhecidos como fazedores de imagens para as igrejas”, explica.

 

Muitas horas de falar sozinho com as pedras para, mais tarde, contar aos outros dá nisto. Ninguém apanha com facilidade este historiador de Arte, epicurista da Lisboa de todas as épocas e pose de personagem queirosiana. Por coincidência, ou talvez não, a conversa é no jardim do Museu Nacional de Arte Antiga. Anísio Franco trabalha ali e é com aquele mesmo rio a ser avistado do Ramalhete que se iniciam “Os Maias”, o mais famoso romance de Eça de Queiroz.

 

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São sete os percursos deste livro: 1. Do Castelo de São Jorge ao Intendente 2. Do Marquês de Pombal ao Cais do Sodré 3. Da Torre de Belém ao Museu da Electricidade 4. Da Ribeira das Naus ao Parque das Nações 5. Do Parque Mayer ao Rossio 6. Do Museu Nacional de Arte Antiga a São Paulo 7. Do Chafariz d`El Rey à Senhora do Monte.

 

Apetece-nos perguntar por um oitavo. “Para mim, é obvio”, reponde-nos Anísio Franco. “Estes cruzam Lisboa, de Oriente a Ocidente, ou são internos à cidade. O que falta atravessa-a de Sul para Norte, começa na Praça do Comércio, sobre pela Rua de São José e só pára no Cacém, ao fim de três horas e meia, depois de atravessarmos Benfica e seguirmos por estradas secundárias”. Fica prometido o passeio, a incluir, quem sabe, num outro livro.

 

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