Bombeiros Voluntários da Ajuda saem da avenida e voltam à Ajuda um século depois

por • 16 Abril, 2015 • Actualidade, SlideshowComentários (1)2133

Instalada na Praça da Alegria desde 1906, a corporação que nasceu por aprovação de Dom Luís I e chegou a operar no Palácio Nacional da Ajuda regressa à freguesia que lhe confere o nome. Enquanto não tem um novo quartel construído, funcionará em contentores cedidos pela Câmara Municipal de Lisboa, que tem alguma pressa em ver o actual quartel vazio. Com uma localização privilegiada, este edifício deverá ser vendido, permitindo à autarquia realizar receita.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A Associação dos Bombeiros Voluntários da Ajuda (ABVA) deverá abandonar, a breve prazo, o quartel da Praça da Alegria, ao lado da Avenida da Liberdade, onde está desde 1907, e fixar-se no bairro que justifica a sua designação, a Ajuda, precisamente. Numa primeira fase, e enquanto não for construída a sua nova casa, ficará instalada numa estrutura provisória, constituída essencialmente por contentores cedidos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). A autarquia, que aprovou na última reunião de executivo, ocorrida esta semana, a cedência à corporação do direito de superfície de um terreno naquela freguesia da zona ocidental da capital, para nele ser edificado o novo quartel, compensará financeiramente os BVA por esta mudança.

 

O que se trata afinal de um regresso a casa, mais de um século depois da ida para junto da Avenida da Liberdade, será permitido pela cedência do direito de superfície sobre um terreno municipal de 1500 metros quadrados, localizado na Rua Sá Nogueira, no Alto da Ajuda. A mudança é justificada com a necessidade de melhorar as condições de operacionalidade dos bombeiros, através da sua transferência para terrenos “bem localizados em termos estratégicos e de acessibilidade perfeitamente adequada para o exercício da actividade da ABVA”. Actualmente, uma parte dos veículos da corporação, entre os quais diversas ambulâncias, encontra-se estacionada na via pública.

 

Na proposta agora aprovada pela câmara, e a que O Corvo teve acesso, lê-se que “a transferência da ABVA para a freguesia da Ajuda permitirá também a libertação imediata do prédio propriedade municipal que actualmente ocupa a título gratuito, sito na Praça da Alegria n.ºs 27 a 31, com a consequente possibilidade de valorização futura deste activo”. Ou seja, este poderá também ser um bom negócio – através de criação de receita adicional pela venda de um imóvel localizado numa área central da cidade – para a edilidade, que, desde 1971, tentava resolver questões legais associadas à ocupação do referido imóvel.

 

A cedência da superfície do terreno situado na Ajuda, e onde os BVA terão de edificar a sua sede e o novo quartel, tem a validade de 50 anos, renovável por sucessivos períodos de 25 anos – “desde que o município de Lisboa não necessite do terreno para obras de renovação urbana ou outro fim de interesse público”. Pela ocupação desse terreno, os Voluntários da Ajuda passarão a pagar à autarquia uma renda anual de 896 euros.

 

O projecto do edifício que passará a ser a nova sede e quartel dos BVA deverá ser elaborado pelos serviços da câmara, a qual vai ceder aos bombeiros um série de estruturas, “do tipo monobloco, compostas por contentores metálicos pré-fabricados”. Depois de adptadas, as mesmas serão utilizadas para instalações temporárias, num terreno contíguo à nova localização, também a ceder pela autarquia e em regime de comodato. O que acontecerá “até que a ABVA reúna as condições necessárias para a construção no terreno da sua sede do quartel”.

 

No documento aprovado pelo executivo camarário refere-se ainda que “é adequado atribuir à ABVA, a título de indemnização, uma compensação pecuniária de natureza global, que permita aquela entidade suportar os encargos de uma deslocalização imediata das suas instalações, incluindo imobilização temporária de alguns equipamentos, bem como os custos acrescidos decorrentes do seu funcionamento temporário em contentores, que têm de ser devidamente adaptados para o efeito”.

 

Os Bombeiros Voluntários da Ajuda acabam de celebrar o seu 135º aniversário, tendo sido fundados a 10 de Abril de 1880. A 13º corporação de bombeiros voluntários instituída em Portugal nasceu sob a designação Real Associação dos Bombeiros Voluntários da Ajuda, após o Rei Dom Luís I ter atendido ao pedido de um grupo de moradores do bairro vizinho do Palácio da Ajuda para que fosse dado uso a uma bomba de combate a incêndios (conhecida como “flaud”) que estava armazenada e sem uso numa arrecadação do palácio.

 

A associação nasceu num pequeno edifício do Largo da Ajuda, junto à estação dos Bombeiros Municipais do Concelho de Belém, mas, logo depois, as suas instalações foram mudadas para o palácio real. Três anos volvidos, transferia-se para a Calçada da Ajuda. Em 1890, tinha já quatro esquadras em Lisboa e abria uma em Colares (Sintra). Em 1906, mudou-se para a Praça da Alegria, tendo inaugurado o seu quartel apenas uma década depois. Local de onde vai agora sair.

 

 

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