As lojas tradicionais que (ainda) existem em Lisboa reunidas em colecção de postais

por • 13 Julho, 2017 • CULTURA, Portfólio, Slideshow, VIDA NA CIDADEComentários (4)190

O crescimento acelerado do turismo e as alterações verificadas, nos últimos anos, no mercado imobiliário e na legislação que sob ele incide têm-se apresentado como desafios enormes para muitos dos mais antigos estabelecimentos comerciais de Lisboa. O fecho de dezenas de lojas com décadas de existência – e algumas mesmo centenárias – veio fazer tocar as campainhas de alerta para o alegado perigo de descaracterização acelerada da cidade. A Câmara Municipal de Lisboa tem mesmo sido acusada, por alguns, de pactuar com tal dinâmica negativa, sobretudo por ausência de resposta capaz e atempada na protecção dos estabelecimentos mais icónicos da cidade. Críticas que, prevê-se, se deverão reduzir substancialmente com a existência de um novo enquadramento legal, entrado em vigor a 24 de junho, conjugado com o projecto municipal Lojas com História.

 

Lançado pela autarquia em Fevereiro de 2015, com o objectivo de distribuir e apoiar as mais icónicas casas comerciais da capital, o Lojas com História apenas agora deverá começar a ter eficácia pretendida. Algo permitido pelo novo Regime de Reconhecimento e Protecção de Estabelecimentos e Entidades de Interesse Histórico e Cultural ou Social Local, que outorga aos municípios a responsabilidade de os classificar e apoiar através de uma protecção especial no arrendamento urbano e em caso de obras. Em Lisboa, e depois do novo enquadramento legal nacional, a câmara reconfirmou, a 28 de junho, o estatuto de excepção de 82 lojas às quais já havia sido reconhecido um valor excepcional, em julho do ano passado e fevereiro deste ano. E muitas delas fazem parte do conjunto já abrangido pelo Círculo de Lojas de Tradição e Carácter de Lisboa, uma iniciativa do grupo cívico Fórum Cidadania LX.

 

Surgido no começo de 2015, o Círculo tem feito campanha pela preservação destes estabelecimentos, alertando para a necessidade de serem tomadas medidas de protecção, denunciando os casos de encerramentos e promovendo a imagem das lojas tradicionais. É neste contexto que se insere a nova colecção de postais por si promovida, em conjunto com a editora Althum, lançada a 7 de julho, na Ourivesaria Sarmento, na Rua do Ouro. A primeira de duas edições previstas abrange 56 estabelecimentos, divididos em três maços de postais, com cada um destes a representar uma loja, todas fotografadas por Artur Lourenço, dinamizador do blog Diário de Lisboa (lisboadiarios.blogspot.pt). O Corvo publica aqui uma amostra desta primeira edição, que confirma a imensa riqueza do comércio tradicional da cidade – testemunho de uma herança cultural, por muitos apreciada, apesar das naturais alterações dos padrões de consumo.

 

Fotografias: Artur Lourenço

 

Ginjinha Sem Rival e Eduardino. Rua das Portas de Santo Antão, 7

 

Casa Achilles, Rua de São Marçal, 194

 

Casa Pereira da Conceição. Rua Augusta, 102

 

Farmácia Gama. Calçada da Estrela, 130

 

Ervanária Rosil. Rua da Madalena, 210 e 257

 

Ferragens Guedes. Rua das Portas de Santo Antão, 32

 

Mundo do Livro. Largo da Trindade, 11-13

 

Pérola do Rossio. Praça Dom Pedro IV, 105

 

Soares & Rebelo. Rua do Amparo, 2

 

Londres Salão. Rua Augusta, 277-279

 

Casa Macário. Rua Augusta, 272

 

 

Pin It

Textos Relacionados

4 Responses to As lojas tradicionais que (ainda) existem em Lisboa reunidas em colecção de postais

  1. Jorge Ferreira diz:

    Lá vamos nós de novo com o papão do turismo e da especulação imobiliária…
    As tais “lojas tradicionais” que se tornaram tão da moda ultimamente começaram a fechar nos anos 1980 porque os portugueses, para o bem e para o mal, adoptaram hábitos de consumo que não eram, e na maioria dos caos não são, compatíveis com as “lojas tradicionais”. O segundo factor, igualmente importante, relaciona-se certamente com a incapacidade de muitas dessas “lojas tradicionais” se tornarem relevantes e atractivas para que os consumidores as frequentem e por essa razão acabaram por se tornar pequenas curiosidades, vestígios moribundos de um passado distante, sem relevância para a vida urbana actual. Resta lembrar que grande parte delas sobreviveram até aos dias de hoje porque suportadas pelas rendas insignificantes que as subsidiaram a partir dos anos 1950 aquando da promulgação da lei do congelamento das rendas do Prof. Salazar. Outras felizmente tiveram visão e souberam actualizar-se e adaptar-se às necessidades de consumo actuais e têm sucesso. São esses os sobreviventes que merecem todo o nosso apoio!

  2. Jorge diz:

    Belas fotografias e ainda mais bela a existência destas lojas.

  3. Lurdes Gordo diz:

    Muito interessante a colecção de postais! Onde estarão à venda?

  4. jorge Santos diz:

    O Mercado Tradicional sempre foi e será o melhor que Lisboa tem.

    Vamos incentivar a população lisboeta a manter esta tradição promovendo a toda a hora em todos os bairros encantadores o que de melhor existe na nossa cidade, os bairros de Rua……………

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *