Arraial de São Vicente pode adiar obras no Largo da Graça e irrita residentes

por • 9 Março, 2016 • Actualidade, SlideshowComentários (3)1434

A muito desejada requalificação do principal arruamento da Graça foi uma das vencedoras do Orçamento Participativo 2012. Integrada no programa “Uma Praça em Cada Bairro”, deveria ver os trabalhos arrancar em breve. Mas os feirantes do arraial que ali se realiza nos santos populares terão pedido à junta de São Vicente que interviesse junto da câmara para adiar as obras por seis meses. O que muito irritou alguns moradores. Fala-se em “traição” e “imoralidade”. A junta diz que nada está decidido e equaciona a realização simultânea das duas coisas.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A realização do próximo arraial popular da freguesia de São Vicente entrou em rota de colisão com o projecto de requalificação do Largo da Graça. As obras, que resultam de uma iniciativa contemplada numa das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de 2012, deveriam começar nos próximos meses, mas a Junta de Freguesia de São Vicente terá solicitado à Câmara Municipal de Lisboa (CML) o seu adiamento por seis meses. Tal terá sido feito a pedido dos feirantes do arraial, para que o seu negócio não seja prejudicado. Alguns moradores falam em “traição”, mas a junta garante que a situação ainda está a ser analisada em conjunto com a câmara.

 

“É imoral que haja um atraso de seis meses na concretização de um projecto desta importância, por causa dos festejos dos santos populares naquele sítio, em relação aos quais muita gente se manifesta contra”, disse o morador Bruno Palma, no período antes da ordem de trabalhos da sessão desta terça-feira (8 de Março) da Assembleia Municipal de Lisboa. O cidadão garantiu ter recebido uma informação dando conta de um pedido da junta de freguesia, por pressão dos feirantes, para que a câmara municipal adie o início das referidas obras – que estão integradas no programa “Uma Praça em Cada Bairro”.

 

Considerando “inadmissível” que se atrase mais a concretização de um “assunto que já se arrasta desde 2007” – quando foram feitas as primeiras propostas para a reabilitação do Largo da Graça, por parte de um grupo de moradores – e que venceu o Orçamento Participativo de Lisboa de 2012, Bruno Palma criticou o que vê como uma cedência a interesses comerciais. “De acordo com o que entendemos, os santos populares são sinónimo de sardinhas e não o que lá está, com roulottes manhosas de algodão doce, pão com chouriço, cerveja e música em altos berros”.

 

arraialMontagem do arraial do ano passado.

 

Também a moradora Cristina Vasconcellos repudiou o que, a confirmar-se, qualifica como “uma traição a todos os moradores e comerciantes do bairro da Graça”. “As referidas obras são uma vitória dos moradores que subscreveram a candidatura ao Orçamento Participativo, foram decididas após um processo longo e sofrido no qual esta Junta de Freguesia não participou, e a Câmara Municipal assumiu o compromisso perante os cidadãos de iniciar as obras no início de 2016”, disse, confessando não encontrar razão para a junta insistir na realização do arraial de São Vicente no Largo da Graça, “quando a freguesia dispõe de outros locais mais adequados para o efeito”.

 

“Que a CML dê toda a prioridade às obras, que as inicie depressa e que as termine no mais curto espaço de tempo possível, sem prejuízo do rigor na sua execução, é o que pedem os moradores da Graça ao executivo da CML”, pediu a mesma residente ante os deputados municipais e a vereação. Cristina Vasconcellos adiantou ainda a intenção de um grupo de moradores em avançar com uma petição “para que o pedido da junta seja rejeitado e para que o arraial de São Vicente retome a sua tradição de animar São Vicente”.

 

A moradora considera ainda que “a realização de um arraial de grandes dimensões no Largo da Graça, como acontece há dois anos, desde que aconteceu a fusão das freguesias, não foi desejada e não traz qualquer benefício aos moradores e aos comerciantes da Graça”. “É um evento megalómano, descaracterizado daquilo a que a tradição de nos habituou, melhor designado como feira popular ou festival rock. Arraial é só no nome”, afirmou.

 

Antes desta segunda intervenção, o assunto havia merecido a atenção por parte de Helena Roseta, presidente da AML, que garantiu que o mesmo iria ser levantado junto da câmara pelos serviços da assembleia. “Julgo que será sempre possível encontrar uma solução que permita que os arraiais se realizem e, ao mesmo tempo, se realizem as obras”, afirmou Roseta, que havia reconhecido que este projecto – a requalificação do Largo da Graça – “já tem barbas”.

 

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Questionado pelo Corvo sobre o assunto, o responsável pela comunicação da Junta de Freguesia de São Vicente, Manuel Rocha, assegurou, por escrito, que “a CML e a JF de São Vicente – face à elevada participação da comunidade nos arraiais de São Vicente realizados em anos transatos e no interesse que a edição de 2016 está a despertar junto da população – estão a analisar a possibilidade de realização simultânea dos eventos e dos trabalhos de requalificação, embora neste momento ainda não haja uma decisão final sobre o processo”.

 

O mesmo responsável acrescentou que “nas anteriores edições, a participação de entidades da freguesia superou os 60% dos expositores e, com base nos pedidos já recebidos para participação, é expetável que, em 2016, a participação de clubes, coletividades e entidades privadas sedeadas em São Vicente ultrapasse 80% do total de participantes nos arraiais”.

 

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3 Responses to Arraial de São Vicente pode adiar obras no Largo da Graça e irrita residentes

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Arraial de São Vicente pode adiar obras no Largo da Graça e irrita residentes https://t.co/9YBXHaTlDC #lisboa

    • elisabeth ferreira diz:

      considero absurdo o adiamento das obras, para se fazer um arraial para o qual os comerciantes e residentes nunca foram consultados

      • Tomás diz:

        Exms. deixaria aqui, para informação de muitos, que os arraiais da graça já à volta de vinte cinco anos que eram feitos no largo em frente ao quartel da graça. Eu mesmo desfrutei dos mesmos, enquanto miúdo do Bairro da Graça. Mais digo, que os fregueses da Graça, deveriam era insistir com as devidas autoridades no sentido de se fazer do convento da Graça, um centro cultural. Isso sim seria interessante para todos os residentes deste bairro.Visto que muita gente, nunca teve oportunidade de entrar dentro do mesmo. Aí sim, todos deveríamos fazer uma petição a fim do Bairro da Graça, a fim de ficar mais enriquecido culturalmente. Pois esse centro cultural dentro do coração de Lisboa, poderia sim, servir para exposições, como para pequenos consertos de orquestra , apresentações de grupos de teatros bem como outros grupos de trabalho que se inserissem através de programas predefinidos e assim também poderíamos mostrar mais uma das belezas que o nosso bairro possui. Mostrando assim os belos e lindos painéis de azulejo que lá existem para não falar já de si da própria arquitectura que envolvente do espaço. Mais não digo quando continuo a ver dinheiros públicos a serem mal aplicados. Porque temos a prova dos nossos anteriores governos. Já agora em relação ao verdadeoro problema que aqui me trouxe, é que não devemos falar por ninguém só por nós próprios.Obrigado a todos