Afinal, residência para estudantes poderá não avançar no Largo do Intendente

por • 18 Junho, 2015 • Actualidade, Segunda ChamadaComentários (4)1672

Quando o projecto que previa 239 quartos foi aprovado, em Março do ano passado, o vereador do Urbanismo disse que o mesmo era “importantíssimo”. Isto porque iria “trazer gente nova”, ajudando no processo de revitalização daquela zona. Mas, agora, a empresa pública Estamo quer vender o prédio pombalino classificado como Imóvel de Valor Concelhio por três milhões de euros e diz não poder garantir tal destino. Se o comprador do prédio decidir outra coisa, lá se vai a residência para estudantes.

 

 

Texto: Samuel Alemão

 

 

Seria um projecto “fundamental” no processo de reavitalização urbana em curso na zona do Intendente. Mas poderá vir a não passar do papel. A empresa de capitais públicos Estamo colocou à venda um imóvel, com uma área de 1733 metros quadrados e situado no Largo do Intendente de Pina Manique, que, supostamente, seria ocupado por uma residência de estudantes com capacidade para 239 unidades de alojamento. Foi esse o pressuposto que levou à aprovação do processo de licenciamento urbanístico, em reunião da Câmara Municipal de Lisboa de 26 de Março de 2014. O edifício teria ainda espaços de loja, bar e cantina, recepção, uma área administrativa, áreas de estar, leitura e estudo.

 

De acordo com declarações feitas, na altura, por Manuel Salgado, vereador com o pelouro do Urbanimo da CML, tratava-se de “um projecto importantíssimo”, porque iria permitir “trazer gente nova para a Mouraria”. A chegada de estudantes ao largo permitiria contribuir para afastar o anátema de aquela ser uma zona conotada com a prostituição e o tráfico de droga. Também o então presidente da autarquia, António Costa, considerou o projecto como sendo da “maior importância”. “Quando nos aparece uma proposta num sítio que para nós é como pão para a boca, o que devemos fazer é procurar acelerar. Queremos uma cidade viva”, disse Costa, na reunião de executivo em que a proposta foi aprovada.

 

Mas tal suposição poderá vir a não passar disso mesmo, caso o comprador do edifíco entenda dar-lhe outro uso. Isto porque o imóvel de traça pombalina, classificado como Imóvel de Valor Concelhio, e que tem a fachada sustentada por uma estrutura metálica, foi incluído num conjunto de uma dúzia de prédios situados no centro de Lisboa e que a Estamo quer alienar a breve prazo. A empresa pública está a receber, até 17 de Julho, e em carta fechada, propostas de compra para cada um deles. Em relação ao imóvel situado no número 57 do Largo do Intendente e no 278 da Rua Benformoso, e cuja área bruta de construção acima do solo aproximada prevista é de 6.398 metros quadrados, o preço de referência é de € 3.050.000,00.

 

Questionada pelo Corvo sobre o efectivo destino a dar a este prédio, a Estamo respondeu por escrito que “não se pode dizer que o imóvel se destina a uma residência de estudantes”. “O que acontece, isso sim, é que relativamente a ele existe um projeto aprovado para esse destino, mas a opção ficará sempre ao critério de um eventual comprador e, obviamente, das entidades licenciadoras, sobre se quer manter ou alterar o projeto, ou destinar o imóvel a uso distinto”, acrescenta a empresa responsável pela gestão e valorização do património imobiliário público.

 

Sobre os motivos que levaram a que tivesse passado mais de um ano entre a aprovação em reunião camarária do projecto de arquitectura e a colocação à venda do imóvel, a Estamo esclarece que tal deriva da “(aparente) receptividade do mercado para acolher determinado produto”. “Neste contexto, a Estamo considera que em face ao recente lançamento do futuro espaço do Hospital do Desterro, do facto de se levarem à venda vários imóveis no centro de Lisboa – ainda que com caraterísticas diversas entre si – e ao razoável momento do mercado, esta seria uma boa altura para avançar com a respetiva venda e testar a recetividade da procura ao produto”, clarifica.

 

Na resposta às questões do Corvo, a empresa diz que, “caso o imóvel não venha a receber qualquer proposta válida e nos termos do Regulamento de Venda, ficará um ano em negociação direta”. “Nesta altura não será, pois, de antecipar qualquer alteração do projeto que venha a ser promovida pela Estamo”, acrescenta. Ou seja, caso não surja, durante o próximo mês, um interessado em construir e explorar a residência de estudantes aprovada em Março do ano passado, tal projecto poderá ter que esperar até pelo menos um ano para, eventualmente, avançar. Ou, então, e já mais tarde, vir a ser reformulado.

 

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4 Responses to Afinal, residência para estudantes poderá não avançar no Largo do Intendente

  1. Tuga News Tuga News diz:

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  2. É sempre a mesma coisa……!!!

  3. RT @ocorvo_noticias: Afinal, residência para estudantes poderá não avançar no Largo do Intendente – http://t.co/pBy2pRjj3R

  4. José diz:

    Residência para estudantes ???
    Voltava novamente em força, a DROGA ao Largo do Intendente.