Actividades aquáticas podem ajudar a resgatar da decadência foz do Trancão

por • 14 Abril, 2016 • Actualidade, SlideshowComentários (5)1030

Depois de realizada a Expo’98, o extremo norte do Parque das Nações foi quase esquecido. Tanto que a degradação se impôs. Ao ponto de o local ser hoje o oposto do que esperaríamos de uma área outrora apontada como modelo de reabilitação urbana. Parte do concelho de Lisboa desde 2013, a margem direita da foz do Rio Trancão é um sítio decadente, com o espaço público ao abandono. O presidente da junta de freguesia quer ver o espaço recuperado e dedicado às actividades e desportos aquáticos. Existem interessados em explorar um parque temático, garante o autarca.

 

Texto: Samuel Alemão                          Fotografia: Paula Ferreira

 

 

O passeio público situado junto ao local onde o Rio Trancão desagua no Tejo é uma dor de alma para quem assistiu à grande operação de reconversão paisagística daquela área, aquando da Expo 98. Por ser parte de uma intervenção considerada modelar na forma de realizar a reabilitação de áreas urbanas decadentes, custa a crer no que se transformou aquela área do Parque das Nações. Neste momento, a zona integrada no município de Lisboa desde 2013 – deixou de pertencer ao concelho de Loures, aquando da reforma administrativa da capital, que instituiu a freguesia com o mesmo nome do recinto – pode antes ser vista como a epítome da decadência. Mas tal pode mudar em breve.

 

O presidente da junta de freguesia, José Moreno (Parque das Nações Por Nós), diz ao Corvo que está em conversações com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para mudar o actual cenário, pautado pela péssima condição do espaço público: o passadiço de madeira encontra-se corroído e partido em vários locais; parte dos espaços verdes entregue ao abandono e com evidentes sinais de não merecer cuidados há muito; não há ali uma recolha eficiente de lixo; o piso asfaltado do recinto está esburacado e apresenta grandes crateras e o elemento de arte pública em forma de janela para o imenso lençol aquático está grafitado. “Temos tido várias reuniões com a CML para discutir este assunto e foi-nos garantido que iriam intervir ali, nos próximos tempo”, informa.

 

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O espaço, tal como sucede com a restante área onde, em 1998, se realizou a exposição internacional dedicada aos oceanos, é administrado pela Parque Expo – uma empresa que o Estado tem tentado, sem sucesso, alienar desde 2012. E desse impasse se tem ressentido, uma vez que a ausência de manutenção do espaço é, por demais, evidente. “O que se passa é que as parcelas de terreno daquela parte da zona Norte do Parque das Nações se destinam à construção”, explica José Moreno, referindo-se aos terrenos situados junto à confluência do Trancão com o Tejo, “mas o espaço público e os equipamentos são da responsabilidade da câmara”.

 

O autarca reconhece que a actual situação é má para os cidadãos e desprestigiante para a freguesia, pelo que deseja que se avance rapidamente para uma intervenção de reparação do espaço público – que a junta de freguesia gostaria de gerir. “Tem de ser feita alguma coisa ali, como está não pode ser. É verdade que aquela zona terá de ser sujeita a grandes mexidas e transformações, quando começarem a ser construídos os empreendimentos que deverão ali nascer. Mas, até lá, todo aquele espaço terá de ter outra dignidade”, defende José Moreno, referindo ter recebido garantias da CML de que deverá avançar, nos próximos tempos, com uma intervenção de reabilitação da zona.

 

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Mas a plena revitalização do espaço público junto à foz do Trancão só será efectiva se o mesmo estiver cheio de gente, faz notar o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações. Para que tal aconteça, é necessário, além das melhorias no passadiço de madeira, criar uma “atracção”, defende o autarca. José Moreno quer, por isso, aproveitar a rampa de acesso ao rio Trancão lá existente para fomentar as actividades aquáticas naquela zona. “Podemos criar ali um parque temático de grande qualidade dedicado aos desportos aquáticos. Seria um equipamento âncora, que traria muita gente para aquela área. O que se pretende é ter ali uma actividade regular. Há interessados em explorar um equipamento do género, esperemos que possa haver novidades em breve”, diz o autarca.

 

O presidente da junta do Parque das Nações pensa que esta é a única forma de contrariar a decadência daquele lugar, que possui inegáveis qualidades paisagísticas. Só com pessoas a frequentar a zona se poderá evitar a sua desqualificação, defende. “Mesmo aquilo que será agora reparado, não teremos garantia de que não será vandalizado pouco tempo depois”, considera o autarca.

 

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5 Responses to Actividades aquáticas podem ajudar a resgatar da decadência foz do Trancão

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Actividades aquáticas podem ajudar a resgatar da decadência foz do Trancão https://t.co/yBsjGwHOqM #lisboa

  2. Vasco diz:

    Deviam igualmente fazer o resto do parque (em projecto, mas nunca terminado), frente ao colégio Pedro Arrupe.

  3. Gostaria de partilhar um vídeo com imagens desse parque, 3 meses antes da tomada de posse de José Moreno. É inacreditável como em menos de 3 anos ficou tudo destruído.
    https://youtu.be/uSMpdSCZWKA

    • Victor diz:

      Tá tudo rebentado, ao abandono, é uma ofensa para quem mora nas torres Trium, deixam cá vir toda a espécie de marginais, que vêm sobretudo de Aautocarro.