Fernando Pessoa anda por aí

por • 17 Abril, 2017 • CULTURA, Portfólio, SlideshowComentários (3)73

Fernando Pessoa (1888 – 1935) anda por aí, mais ou menos desassossegado. Não há um largo, uma praça ou um jardim públicos com o seu nome, mas há uma rua em Lisboa que pouca gente sabe onde fica. O Corvo faz-lhe aqui um pequeno roteiro dos locais da cidade marcados pela evocação do poeta.

 

 

 

A Rua Fernando Pessoa e a Escola EB 1 nº 151, Fernando Pessoa, Coruchéus (foto de abertura), ficam num bairro de casas de rendas económicas mandado construir na década de 40, em Alvalade, onde todas as ruas têm nomes de escritores e poetas de língua portuguesa.

 

 

 

Em 1988, para assinalar o centenário do nascimento do poeta, foi inaugurada a escultura em folha de ferro pintado, numa homenagem a Fernando Pessoa (cabeça e chapéu do poeta) da autoria do escultor José João Brito, na Praça Cidade do Luso, no Bairro dos Olivais, na parte oriental da cidade.

 

Em pano de fundo, na Rua Cidade Carmona, fica a entrada principal da Escola EB 2/3 Fernando Pessoa (1973), estabelecimento de ensino de referência, quer pelas suas inovadoras características arquitectónicas e paisagísticas, quer pela nova geração de professores que ali iniciou a sua carreira no ensino, nos anos 70.

 

 

 

 

Das 56 estações de metropolitano existentes actualmente, Fernando Pessoa é evocado em duas – no átrio e no cais da estação do Alto dos Moinhos, pelo traço inconfundível dos desenhos de Júlio Pomar, que riscam de azul os azulejos brancos na obra “Poetas nas ruas de Lisboa”, e no corredor de acesso ao átrio no terminal da estação do Aeroporto, na linha vermelha, onde Pessoa se esgueira pelo meio dos passantes. Na estação Baixa-Chiado, o balcão quiosque Fernando Pessoa surpreende pelo inusitado.

 

 

 

No Largo do Chiado, nem todas as atenções se viram para a escultura do poeta Chiado. A atracção concentra-se no mesmo passeio público, no conjunto escultórico em bronze, da autoria do mestre Lagoa Henriques, que representa Fernando Pessoa sentado à mesa do café A Brazileira do Chiado, estabelecimento inaugurado em 1905. Foi a assiduidade com que frequentou as tertúlias ligadas aos círculos intelectuais, de escritores e artistas, que motivou a homenagem naquele local em 1988.

 

Mais abaixo, no Largo de São Carlos, antes designado Largo do Directório – por aí se situar, no 1º andar do nº 4, a sede do Partido Republicano Português e do seu directório desde a implantação da República -, fica o local onde Pessoa nasceu. Foi no 4º andar do mesmo edifício, em 13 de junho de 1888, no dia de Santo António – de seu nome Fernando de Bulhões (1191-1231). Para assinalar os 120 anos do nascimento do poeta, o município adquiriu a escultura em bronze do belga Michel Folon (1934-2005), inaugurada em 2008 naquele local.

 

 

 

A Casa Fernando Pessoa, situada em Campo de Ourique, é, desde 1993, não só uma casa museu mas também uma casa aberta à cultura. Foi lá que o poeta morou nos últimos quinze anos da sua vida e foi no Hospital Saint Louis, hospital dos franceses, localizado no Bairro Alto, que viria a falecer, em 1935. No dia anterior à sua morte, escreveu a frase “I know not what / tomorrow will bring”.

 

 

A partir de 1908, aluga o seu primeiro quarto, no Nº 18 no Largo do Carmo, e dedica-se à tradução comercial, actividade que mantém toda a vida. Ao virar da esquina, na Rua da Oliveira, ao Carmo, e junto à que era então a tipografia da revista Orpheu – Oficinas Tipográficas e Comércio – uma grande empreitada, na década de 80, deu origem ao Edifício Pessoa. O mesmo funcionou, intermitentemente, como centro de escritórios até nova reconversão, em 2016, em mais um estabelecimento hoteleiro—Hotel Pessoa.

 

 

Por volta de 1913, Fernando Pessoa trabalhou num escritório no 1º andar do nº 190 da Rua dos Douradores. Em baixo, havia um restaurante onde almoçava com frequência, o que levou a que os proprietários, emigrantes galegos, rebaptizassem a casa em sua memória. A Antiga Casa Pessoa já não existe, mas estão bem visíveis as placas em pedra que assinalam a passagem do poeta naquele local.

 

 

De todos os cafés que frequentou, O Martinho da Arcada foi onde escreveu grande parte dos seus poemas, sobretudo nos últimos dez anos da sua vida. Ali, encontrava o seu grupo de amigos mais íntimos e aliviava a solidão. Foi lá que escreveu “A Mensagem” e muitas páginas do Livro do Desassossego.

 

 

Fernando António Nogueira Pessoa morreu no dia 30 de Novembro de 1935. Foi poeta, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentador político. O seu funeral realizou-se no Cemitério dos Prazeres e o seu corpo depositado no jazigo da família, com o nº 4371, na Rua nº 1.

Em 1985, cinquenta anos após a data da sua morte, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jerónimos. Em 1987, é instituído o Prémio Pessoa, concedido à pessoa ou pessoas, de nacionalidade portuguesa, distinguidas na vida científica, artística ou literária.

O actual Largo de São Carlos, outrora Largo do Real Teatro de São Carlos, mais tarde Largo do Directório, seria o sítio próprio, para o sossego de muitos portugueses, finalmente se chamar Largo Fernando Pessoa. “É a hora!”.

 

Texto e fotografias: Paula Ferreira

 

Pin It

Textos Relacionados

3 Responses to Fernando Pessoa anda por aí

  1. Paulo Branco diz:

    Obrigado! Texto claro e muito bem explicado. Já agora, subscrevo a mudança do nome do Largo de São Carlos para Largo Fernando Pessoa.

  2. Manuel Costa diz:

    E depois dos Prazeres??

  3. Miguel Chaves diz:

    Só para os curiosos…

    ele viveu no nº3 da Rua Capitão Renato Baptista (Lisboa) em 1919

    (Google maps – street view)
    https://goo.gl/maps/XRDh4Tp53RF2

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *