Qualidade e quantidade da comida em escola básica do Areeiro gera protesto

por • 6 Março, 2017 • Actualidade, Segunda Chamada, VIDA NA CIDADEComentários (5)541

A pouca quantidade e a falta de qualidade da comida servida na cantina da Escola Básica (EB2/3) Luís de Camões, situada na zona do Areeiro, está a preocupar os pais dos alunos que a frequentam, levando-os a exigir “refeições dignas”. Na próxima quarta-feira (8 de março), adiantam a O Corvo, vão sentar-se à mesa onde comem os seus filhos para perceber se alguma coisa mudou.

 

O convite para o almoço acontece após uma queixa que a Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) do referido estabelecimento de ensino fez chegar à empresa de ‘catering’ que fornece as refeições preparadas. “Combinámos que iríamos almoçar novamente na escola, para verificar se a falta de comida e a qualidade insatisfatória se mantêm”, revela Rita Gorgulho, presidente da APEE, depois de ter sido contactada pelo fornecedor em causa.

 

O arrastar da situação, contudo, faz com que a mãe encare a visita à cantina da EB23 Luís de Camões com alguma desconfiança: “Infelizmente, esta situação não é nova e é comum a muitas escolas de Lisboa. Esperemos que não alterem o menu pelo facto de lá irmos”.

 

O tipo de pratos que é servido aos alunos, cujas idades vão dos 10 aos 16 anos, constitui outra das preocupações dos encarregados de educação. “Os menus são completamente desajustados à idade escolar. Comidas como rancho ou abrótea estufada com molho de tomate são comuns na alimentação da cantina. O problema é que o rancho quase não tem carne e a abrótea tem mais espinhas do que peixe”, descreve Rita Gorgulho.

 

O desagrado da APEE relativamente ao serviço prestado está bem patente na queixa feita por escrito à empresa responsável pela confecção das refeições.

 

Houve um episódio em particular, ocorrido em Fevereiro, que teve o condão de reavivar o protesto: “Foi-nos relatado, por alguns pais, que a comida foi insuficiente para a alimentação dos alunos, de tal forma que, no final da hora de refeição, já não havia sopa nem arroz para servir às crianças” – designadamente às que chegaram por último para almoçar.

 

Classificando a situação de “inaceitável”, os representantes dos encarregados de educação acusaram então a empresa de ‘catering’ de ser “surda às queixas dos alunos, pais e até da própria direcção da escola” e, desse modo, “pôr em risco a saúde dos educandos”.

 

 

O caso é tanto mais sensível quanto os estudantes da EB23 Luís de Camões se encontram, conforme foi enfatizado, “em fase importante de crescimento”. Além disso, há aspectos sociais que, no entender da APEE, deveriam ser levados em linha de conta por quem elabora os pratos: “Para muitas destas crianças, a refeição escolar é a única refeição quente e completa que consomem durante o dia”.

 

Com esta nova denúncia, o problema da comida em doses pouco generosas nas escolas voltou a ter recentemente eco na Assembleia da República (AR). Isto por intermédio de ‘Os Verdes’. “Os alunos precisam e têm o direito a ter acesso a refeições dignas e suficientes”, sustentam os parlamentares José Luís Ferreira e Heloísa Apolónia ao interpelarem, por escrito, o Ministério da Educação (ME). É “indispensável”, acrescentam, que os jovens em questão “possam fazer uma refeição quente e completa, tal como está estipulado e contratualizado com a empresa que fornece as refeições na cantina da escola”.

 

O ME já tinha sido questionado, também a partir da AR, sobre as doses escassas servidas na cantina da EB23 Luís de Camões. A primeira iniciativa do género pertenceu ao Bloco de Esquerda, que, em Novembro de 2016, pediu esclarecimentos à tutela sobre o que se estava a passar com as referidas refeições. Até agora, o Governo deixou aquela força política sem qualquer resposta.

 

Na altura, a APEE tinha igualmente denunciado o caso, na sequência de inúmeras queixas e depois de os seus dirigentes terem comprovado o fundamento das mesmas ao almoçarem, eles próprios, na cantina – o almoço da próxima quarta-feira será, por isso, o segundo com o mesmo objectivo.

 

“A comida era muito pouca para alunos adolescentes e, de acordo com o relato que a APEE nos fez, claramente insuficiente até mesmo para crianças”, denunciaram, no ano passado, as deputadas Joana e Mariana Mortágua.

 

Nas perguntas que então fizeram ao titular da pasta da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e que não mereceram nenhuma resposta até ao momento, as parlamentares que ajudam a sustentar a actual maioria notaram igualmente que “a empresa de ‘catering’ tem sido alertada para a escassez de comida pela direcção da escola”, mas “sem que essas queixas surtam qualquer efeito”.

 

Segundo a mesma fonte, não se trata de um problema “circunscrito” à Escola Básica Luís de Camões. Invocando “outros relatos” que têm chegado à bancada do BE na AR, Joana e Mariana Mortágua concluíam que os pratos com pouca comida eram também a regra “noutras escolas” – estas, no entanto, não surgem identificadas no documento.

 

“As regras estabelecidas para as refeições escolares são conhecidas e não permitem estes abusos, pelo que se torna imprescindível agir de imediato para lhes por cobro”, exortavam as ‘bloquistas’, dirigindo-se ao ME.

 

Questionando se o executivo tinha conhecimento da situação, elas queriam ainda saber se os responsáveis políticos iriam “investigar a quantidade e a qualidade de alimentos servidos nas refeições escolares e em particular nos almoços”.

 

Texto: Sérgio Gouveia

 

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5 Responses to Qualidade e quantidade da comida em escola básica do Areeiro gera protesto

  1. Ginka diz:

    É inacreditável como às custas da saúde destas crianças anda alguém a lucrar!

  2. AS diz:

    Excelente artigo! Espero que O Corvo continue a publicar artigos pertinentes e de qualidade, como este. Continuem o bom trabalho!

  3. E a quantidade e qualidade da comida só aconteceu neste ano lectivo? Nos anos anteriores era abundante e com óptima qualidade?

    • Inês Meneses diz:

      noutros anos se calhar ninguém se mexeu para protestar. A Assoc de Pais foi criada o ano passado, apenas. Mas valeu a pena o protesto, porque já houve de facto uma melhoria notória.

  4. Inês Meneses diz:

    Pela positiva, feito e tornado público o protesto, já houve de facto uma melhoria da alimentação fornecida às nossas crianças:

    https://www.facebook.com/paisluisdecamoes/photos/a.1481561585481910.1073741828.1478365039134898/1664535910517809/?type=3&theater

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