Fernando Medina opõe-se à aplicação de restrições legais ao alojamento local

por • 3 Março, 2017 • Actualidade, Slideshow, URBANISMO, VIDA NA CIDADEComentários (55)1283

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa confessa ser contra a aplicação, neste momento, de restrições legais à actividade de exploração comercial do alojamento local em apartamentos. “Defendo a imposição de regras relacionadas com a qualidade de vida das pessoas que vivem nesses prédios, mas tenho dúvidas quanto à aplicação de restrições administrativas importadas de outros países”, afirmou Fernando Medina, durante a última reunião descentralizada do executivo camarária, realizada na noite de quarta-feira (1 de março), durante a qual o assunto foi amplamente debatido. “É errado atribuir ao alojamento local a parte principal da pressão sobre os preços que se está a registar na habitação, nas zonas do centro histórico da cidade”, afirmou ainda. A culpa, diz, é das taxas de juro baixas, que são um isco para os investidores imobiliários.

 

O encontro – realizado no Palácio da Independência, no Largo de São Domingos, e destinado a auscultar residentes das freguesias de Misericórdia, Santa Maria Maior e Santo António – acabou, aliás, por ser dominado pela discussão em torno da crescente pressão da actividade turística sobre a qualidade de vida e, em particular, da habitação. Foram muitas as vozes, de moradores e de autarcas, a queixarem-se do aparente rumo em sentido único que os bairros do coração da capital estarão a tomar, numa reunião que terminou à 1 hora da madrugada. Tanto que, a certa altura, quando um munícipe perguntou se a ideia prevalecente na autarquia seria a de assumir a especialização dessa área como distrito turístico, Medina deu início a uma longa digressão retórica, em tom justificativo. “A especialização de uma zona só na função turística ditará o fim dessa zona enquanto fonte de atracção turística. Isso é claro”, afirmou.

 

O autarca socialista reconheceu a complexidade do cenário, admitindo a necessidade de serem encontrados “instrumentos” para lidar com a nova realidade, mas sempre foi avisando que “não existem medidas neutrais” e “que não tenham outros impactos”. “Esta situação está a evoluir rapidamente. Há aqui uma realidade muito particular, de um conjunto muito reduzido de freguesias onde o fenómeno da intensidade turística é muito superior à restante”, afirmou, antes de avançar para uma explicação do que considera serem as principais causas do actual fenómeno turístico, com consequências bem dramáticas no mercado de arrendamento para habitação de longa duração – as quais, diz, “não resultam, em primeiro lugar, do fenómeno da dimensão do turismo”.

 

Vista de Lisboa desde o Bairro Alto

 

Para o presidente da câmara, a pressão na procura de apartamentos “resulta de uma situação prolongada de taxas de juro muito baixas e de afluxos de investimento para aquisição de casa própria, seja por estrangeiros ou por nacionais”. Diagnóstico que leva Fernando Medina a pedir “prudência em fazer analogias com os casos de outros países e com as medidas dos outros países, com realidades muito diferentes”, os quais impuseram fortes restrições legais à exploração com fins turísticos de casas particulares – como sucedeu em cidades como Berlim, Nova Iorque ou Barcelona.

 

“Todas as questões relacionadas com o alojamento local têm por trás uma questão clara de distribuição de rendimentos. Há países onde as medidas restritivas foram adoptadas por pressão da indústria hoteleira, porque, no fundo, a restrição do alojamento local significa a limitação da oferta de camas”, afirmou. Algo que, sugeriu, não faria sentido aplicar na capital portuguesa, por possuir características muito particulares.

 

“Mais de 70% da oferta do alojamento local de Lisboa corresponde a unidades isoladas em prédios. Isto significa que a parte mais importante da oferta de alojamento local da cidade não é uma oferta organizada por proprietários de prédios inteiros, mas que é assegurada por particulares, que têm as suas casas colocadas no mercado. Ora, isto tem um efeito do ponto de vista económico, social e das condições de vida de muitas pessoas nesta cidade”, considerou, admitindo que “é precisamente neste prédios que se dão os maiores conflitos com a qualidade de vida dos residentes”.

 

“Num edifício onde haja um ou dois apartamentos dedicados ao alojamento local e, em simultâneo, haja quatro ou seis de residentes permanentes, a entrada contínua de pessoas causa mais críticas e problemas do que num edifício inteiramente dedicado” a esta actividade, disse. Por isso, Fernando Medina prefere que se criem formas de atacar os problemas relacionados com a qualidade de vida dos residentes, e não se proceda a um ataque cego à actividade do alojamento local.

 

 

O autarca confessou-se sensível aos argumentos de quem se queixa “do entra e sai permanente dos prédios, ao barulho e ao lixo”, questões que, entende, devem ser imputadas directamente aos donos dos prédios. “Os proprietários não podem, pura e simplesmente, desresponsabilizar-se, argumentarem que põem o seu prédio numa plataforma ou o entregam a um intermediário e dizerem que não querem saber o que lá vai acontecer. Acho até que têm de ter uma responsabilidade acrescida”, afirmou. Uma das formas de o fazer, avançou, seria terem um “contributo adicional” para os condomínios, “por ser evidente que as despesas e encargos causados nos prédios são claramente superiores aos dos um utilizador permanente”.

 

Se Fernando Medina garante estar decidido em tomar medidas neste campo, já a colocação de um freio legal na actividade da exploração do alojamento local encontra nele uma expressão bem menos entusiástica. “Temos de ter muita prudência em querer mimetizar esses casos, porque eles se aplicam a realidades que são muito diferentes da nossa”, aconselhou, referindo que as restrições ao alojamento local iriam ter como consequência principal afectar os níveis de vida das muitas famílias que vivem desta actividade. “Se apertarmos muito, estaremos a tirar rendimento a essas pessoas e a atribuí-lo a outros – e, em particular, aos que têm uma actividade mais profissional”, explicou.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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55 Responses to Fernando Medina opõe-se à aplicação de restrições legais ao alojamento local

  1. Surprise, surprise. Agente da fidalguização de Lisboa, dizes-te de esquerda mas ages como se fosses do PP? Tu que governas e nem eleito foste.

  2. Rita Jorge Rita Jorge diz:

    No meu prédio já sã 2 os apartamentos para alojamento local e não pertencem a pobres proprietários que o fazem para subsistir, como referiu medina, mas a empresas que detêm outros apartamentos para o mesmo fim na zona histórica.

    • Jorge diz:

      A explicação para a posição da CML é muito simples: o turismo rende impostos, na forma da Taxa Turística, enquanto que o arrendamento habitacional não.

    • Jc diz:

      Então se os proprietários fossem pobres, o negócio seria legitimo?!
      Ou se os apartamentos fossem objeto de arrendamento para habitação permanente, os demais condóminos seriam chamados a fazer uma pré seleção dos futuros inquilinos para evitarem terem de conviver de modo eventualmente perpétuo com vizinhos bêbados, violencia doméstica, crianças que saltam, pulam, espalham berlindes, choram, jovens que entram e saem com amigos a altas horas da madrugada, pessoas que trabalham por turnos, casais que gemem alto na intimidade… sim, estes são “os vizinhos”…
      E os apartamentos? Que muitas das vezes tresandam a falta de higiene porque são habitados de modo permanente por gente porca?
      No AL cria-se emprego, zela-se pelos imóveis, prima-se pela segurança, cumpre-se a higiene. Tudo isto, não proncipalmente mas também, para o bem comum.

  3. Não surpreende de facto. Lisboa não se desagregou por acaso. Foram anos re reiterado abandono, inépcia e politica voltada para o turismo sem controlo. Agora, claro, o resultado mais perverso: até os habitantes têm de ser importados pois os figurantes foram-se embora e não vão voltar enquanto Lisboa não deixar de ser um parque de diversões oco.

    • luis diz:

      Este comentário é a sério? Há quantos anos vive em Lisboa? Conheceu a cidade dos mercados de droga no intendente? Do Rossio vazio às 20h?

      • Maria diz:

        Luis, Há pessoas que comentam por comentar sem conhecimento de causa.. provavelmente nunca caminharam a pé na zona da Mouraria etc…

    • Jc diz:

      A memória curta é o que atraiçoa os povos. Quando a barriguinha começa a andar cheia, esquecem-se das chicotas que levavam nas costas e andarem a pão e água.
      Casal ventoso, intendente, rossio, praça do comércio…

  4. Daqui a um pouco perdemos a nossa entidade com tantos turistas.

  5. É verdade. No Algarve, com tantos turistas de Lisboa e do Porto, até já nem existem algarvios. Foi-se a identidade.
    Lisboa tinha tanta identidade quando os prédios estavam devolutos e a cair aos pedaços. Que saudades desses tempos.

    • Algarve, turistas de Lisboa e Porto, meses Junho,Julho e Agosto! perde identidade?

    • E a Nazaré? Onde está a identidade daquele povo fabuloso? Já nem existem pescadores… Agora em Lisboa, nas festas de Santo António, só haverá atum em lata.

    • luis diz:

      O que estes supostos defensores da “identidade” lisboeta querem é que Lisboa continue com o seu “charme”: Prédios a cair e fachadas grafitadas que proporcionam boas fotos para o instagram.
      E são muito bairristas e adoram marchas populares, que por acaso foram uma “identidade” importada da Itália fascista pelo ministro António Ferro, nos anos 30.

      • Catarina de Macedo diz:

        São os donos dos imóveis que são responsáveis pela ruína de muitos edifícios e não os moradores. Os poucos moradores que se conseguiram aguentar em Lisboa apesar dos preços exorbitantes, estão agora a ser empurrados para fora, ou por pressão dos donos dos imóveis que agora de repente decidiram que querem renovar finalmente o imóvel mas literalmente “para inglês ver” e pela subida de preços estúpida que torna impossível a vida em Lisboa para qualquer pessoa de classe média, quanto mais baixa. As pessoas não abandonaram Lisboa, foram aqueles que se recusavam a baixar os preços para atrair gente da periferia para aqui e se recusavam a fazer obras nos imóveis e preferiam deixar tudo a cair de podre, que agora estão precisamente a remodelar tudo mas para o turismo porque já lhes cheirou a dinheiro e estão a aumentar ainda mais os preços. Os moradores não têm a culpa de nada. Só querem mesmo um sítio para morar dentro da capital que não esteja a preço de milionário e a juntar a isso a cair de podre. Como esteve estes anos todos. As pessoas não saíram de Lisboa para irem viver em bairros medíocres na periferia porque sim. Eles foram porque já antes as coisas estavam mal. E agora os poucos que resistiram a isso estão a ser cada vez mais pressionados e por isso queixam-se e com razão.

    • Rui, caso não tenha reparado. A lei das rendas de 2012 acabou com as rendas irrisórias que impediam a recuperação do património. o problema já estava resolvido e a recuperação viria á mesma, sem o turismo e sem os lordes sonegarem o mercado de arrendamento para proveito próprio em detrimento do proveito da comunidade.

      • Tania diz:

        Caro Michael Woods, a meu ver a lei das rendas não acabou com as rendas irrisórias pois na maior parte dos casos em face do típico arrendatário de Lisboa, idoso e com fracos recursos económicos, a lei confere uma protecção limitando o aumento da renda. É preciso não esquecer que mesmo com o aumento das rendas os proprietários viram os custos com os imóveis aumentar em virtude da avaliação geral que incidiu sobre todos os imóveis pelo que não era por aí que a recuperação viria, é que feitas as contas as rendas poderiam ser mais altas mas na maior parte dos casos continuaram muito longe dos valores de mercado o que tornava impossível ao pequeno e médio proprietário investir ou pedir emprestado dezenas de milhares de euros em obras… a recuperação veio sim em força por a lei das rendas facilitar a denúncia dos contratos de arrendamento antigos, ora os proprietários confrontados com propostas para venda dos prédios versus necessidade de fazer obras e nenhum retorno do investimento, resolveram vender e os novos proprietários, na sua maioria empresas e fundos de investimento, vieram de facto revitalizar a economia e lavar a cara a esta cidade que bem precisava … contudo não há bela sem senão e agora cá estamos a sofrer as consequências. O que se pode fazer? Não sei mas na minha opinião acho que já não há mesmo nada a fazer e apenas se pode tentar conter os estragos.

    • Reparei Michael. Só não entendo porque tem a propriedade privada de servir ao proveito da comunidade.
      Deverá ser a comunidade a definir o destino a dar aos bens de cada um de nós?

    • Rui Ribeiro eu explico, porque a comunidade é mais importante que o individuo.

      • Joana Freudenthal diz:

        O Estado demite-se das suas obrigações sociais e obriga os particulares a substituí-lo.
        Não. Eu faço caridade com quem EU quiser, QUANDO EU quiser, COMO EU quiser, ONDE EU quiser.

    • Na Coreia do Norte também pensam dessa forma Michael. Talvez em Pyongyang seja mais fácil encontrar casa do que em Lisboa.

    • Maria diz:

      AHAHAHAHAH… Pois no Algarve ninguém se queixa e ao que parece os Algarvios fugiram por causa do turismo.. kkk
      Lisboa,m com as casas a cairem… alguma vez alguém se pre – “ocupou” com os inúmeros de prédios devolutos, porque ninguém fazia obras ?…Agora que alguém investe é considerado o quê ? Pessoa não grata…
      Este país está muito bem entregue…Somos todos uns experts.. quando algo começa a dar frutos.. tem de haver sempre alguém para destruir… correcto ??

  6. Ai Medina diz:

    Fernando Medina a abrir caminho e criar condições para que o Alojamento Local seja possivel apenas aos grandes investidores.

    Areia prós olhos de moradores e pequenos proprietários.

    Quanto lhe pagam pra dizer que um turista desgasta e chateia mais do que um vizinho?????

    Um turista! Que passa o dia na rua e a noite a dormir??

    Saberá ele o que é viver com vizinhos que ouvem tv em altos berros até as tantas, que andam de saltos altos em casa, que batem na mulher, que fumam nas escadas??

  7. Os efeitos da Turistificação de Lisboa
    Cada vez mais gente e menos lisboetas. Câmara entrega a gestão da habitação ao aluguer online de alojamento para férias

    ANTÓNIO SÉRGIO ROSA DE CARVALHO
    23 de Novembro de 2016, 9:45
    https://www.publico.pt/2016/11/23/local/noticia/os-efeitos-da-turistificacao-de-lisboa-1752237

    Fernando Medina não acompanha a Imprensa internacional. Se o fizesse, ter-se-ia apercebido de uma avalanche de notícias na Imprensa local de Nova Iorque e de várias cidades Europeias sobre os efeitos perversos conjugados e interactivos da Turistificação desenfreada, da Globalização desmedida e da Gentrificaçào galopante na vida quotidiana dos habitantes locais nestas cidades.

    Um clamor profundo, uma agitação permanente de insatisfação e um desejo urgente e imperativo de mudança, de regulamentos, de fiscalização e de liderança por parte dos habitantes, ameaça traduzir-se em consequências políticas, e faz acordar os autarcas.

    Temos ouvido sobre as situações em Barcelona e Berlim e das condições impostas à AIRBNB que vão desde a proibição total na capital alemã até à imposição de um rigoroso regulamento na cidade da Catalunha.

    Numa longa luta do Municipal com a Airbnb [aluguer de alojamento para férias], Nova Iorque quer agora proibir o aluguer de alojamentos através da AIRBNB por um período inferior a 30 dias. Medida destinada a proteger a cidade dos efeitos perversos das estadias curtas / low cost do turismo barato, massificado, predador e desinteressante. Densidade intensa de ocupação do espaço físico sem interesse económico e mais valias financeiras, a não ser, para os estabelecimentos também eles “predadores” do comércio tradicional, ou seja, “comes e bebes” e “quinquilharia” pseudoturística em dezenas de lojas asiáticas e afins.

    A 6 de Outubro, o “Guardian” publicou um conjunto de três artigos sobre a interligação destes temas, tendo um deles sido dedicado à relação de Amsterdão com a AIRBNB.

    Embora Amsterdão tenha imposto um regulamento claro à Airbnb, ocupação máxima de 60 dias por ano e o máximo de quatro pessoas por edifício, os efeitos sociais de descaracterização dos bairros têm sido devastadores. O investimento especulativo junto à forte subida do preço da habitação (também no aluguer a “expats” do mundo empresarial ) está a expulsar progressivamente os habitantes locais, transformando os bairros em plataformas rotativas e contínuas de “idas e vindas” de forasteiros híper individualizados e indiferentes aos locais, e a transformar os antigos bairros em locais alienados onde ninguém se conhece e onde reina o anonimato.

    Amsterdão tem fiscalizado intensamente a ocupação através da Airbnb mas é confrontada com a recusa pela própria Airbnb de fornecimento de dados. Num espaço limitado fisicamente como a pitoresca Amsterdão, a invasão turística low-cost / aluguer Airbnb, está a levar a efeitos explosivos no trânsito, no comércio local onde pululam as lojas de vocação turística e de souvenirs e está a provocar uma avalanche de insatisfação traduzida em irritação ou animosidade explícita para com o turismo.

    De tal forma que, muito recentemente, a autarquia fez um discurso explícito inteiramente dedicado a estes temas, onde anunciou uma atitude de exigência e fiscalização ainda mais rigorosa para com a Airbnb, medidas legislativas em conjunto com Haia que tornem possível a escolha do tipo de lojas a instalar em cada rua e uma atitude nítida de selecção do tipo de turismo, numa definição e escolha dirigida à clara diferenciação entre o turismo desejável e indesejável.

    Numa entrevista publicada a 18 de Janeiro no PÚBLICO, o Director Ibérico da Airbnb anunciava orgulhoso: “A evolução em 2015 face ao ano anterior foi de 65%. Portugal está no 11.º lugar mundial em termos de anúncios na Airbnb, num ranking liderado pelos EUA. A Airbnb captou um milhão de pessoas em 2015.”

    Orgulhoso, e claro, satisfeito. A Airbnb não está sujeita a qualquer tipo de regulamento, exigência ou fiscalização em Portugal. Mais. A AIRBNB colabora com a Autarquia e o Governo, de forma a que os impostos sejam cobrados ao Alojamento Local. Estes aumentaram.

    Mas os efeitos devastadores são ignorados ou mesmo negados por Fernando Medina que se tem mostrado irónico ou furtivo sobre estes problemas fundamentais para o presente e o futuro estratégico da cidade de Lisboa.

    Que este se torne o tema fundamental de discussão de todas as forças políticas em direcção às eleições autárquicas, é um imperativo. Não se trata de cor política, mas de um tema Universal de Ecologia Urbana e de equilíbrio salutar no organismo vivo que constitui uma verdadeira cidade.

    A Turistificação desenfreada, a Globalização desmedida e a Gentrificação galopante estão a matar as cidades.

    Historiador de Arquitectura

  8. Quem ande a pé por Lisboa, pode comprovar que existem prédios inteiros, alguns em bom estado de conservação, completamente vazios. Porquê? porque os senhorios propõem, aos anteriores arrendatários, rendas obscenas que só os estrangeiros, ou os portugueses bem apadrinhados podem pagar. De onde vem assim tanto dinheiro de repente não sei. Estou de acordo com a reabilitação do parque habitacional e com a actualização de rendas, mas não em formato de absoluta e pura ganância, com protecção legal!

    • Rui diz:

      Vera, como bem dizes os prédios têm dono. Eles pedem o que acham que devem pedir. É como em todos os tipos de actividade, a lei da oferta e da procura….

  9. Pedro antunes diz:

    Resolvia-se a coisa de uma forma muito simples: sendo uma actividade comercial o condomínio tem de autorizar.
    Esta autorização já se faz em tudo o resto. Não vale a pena comparar com um aluguer de longa duração. Não tem nada a ver!
    É um caso claro de mudança do uso, passa de uso para habitação para uso comercial.
    A Lei já existe, bastava uma clarificação deste ponto com uma alínea adicional.

    • José Júlio da Costa-Pereira diz:

      UMA DAS POUCAS PESSOAS QUE FAZ UM COMENTÁRIO COM “PÉS E CABEÇA”..UM CONDOMINIO TEM NORMAS PRÓPRIAS IMPOSTAS POR ESCRITURAS CONTITUTIVAS E OS REGULAM ENTOS INTERNOS DO CONDOMINIO APROVADOS PELOS RESPECTIVOS CONDÓMINOS.ALTERAÇÕES SOBRE A FORMA DE USO E QUESTÕES ANÁLOGAS TÊM DE SE OBJECTO DE ACORDO DE TODOS OS CONDÓMINOS.E QUIÇÁ OBJECTO DE ALTERAÇÃO POR NOVA ESCRITURA CONSTITUTIVA.NORMALMENTE POR APROVAÇÃO DE MAIORIA ABSOLUTA..

  10. Ana diz:

    O problema, na minha opinião, tem de ser visto neste contexto:

    A Habitação Própria Permanente é a habitação utilizada pelo proprietário, ou por este e pelo seu agregado familiar, em permanência. Aquela onde o proprietário, ou este e o seu agregado familiar, irão manter, estabilizado, o seu centro de vida familiar. Neste conceito onde é que se encaixa um Estabelecimento de Alojamento Local?

    O “Alojamento Local” através do Decreto-Lei n.º 128/2014, de 29 de Agosto e do DL 63/2015, de 23 de Abril, passou a ser tratado em diploma próprio.

    O Decreto-Lei n.º 128/2014 confunde completamente o conceito de Habitação com o conceito de Estabelecimento Comercial, o que vem trazer sérios problemas de cumprimento de regras de boa vizinha, de direitos fundamentais, como o descanso e a privacidade (pessoas em férias têm um comportamento natural de não respeitar os horários das famílias que residem permanentemente nas suas habitações, sujeitas aos horários de trabalho e de escola), de despesas acrescidas, de uso indevido de partes comuns, especialmente nas fracções em PH.

    O Decreto-Lei n.º 128/2014 de 29 de Agosto não prevê uma autorização de utilização específica para o alojamento local, trata-se de uma actividade económica que poderá ser exercida desde que compatível com o uso definido para a fracção. O que acontece é que basta o proprietário querer e regista o seu AL com uma mera comunicação prévia que confere tacitamente à actividade de alojamento local, uma compatibilidade com os fins habitacionais.

    Apesar de o AL ser benéfico em particular para a requalificação urbana, para o turismo e até para o emprego e no geral para a nossa economia, há na nova Legislação uma lacuna gravíssima relativamente ao direito de propriedade e a situações de incompatibilidade que, pelos visto, ninguém controla ou decide senão o próprio explorador do alojamento.

    O turismo pode ser importante para o motor da nossa Economia mas não é de certeza nestes moldes expulsando as famílias, habitantes permanentes, das suas casas.

    Aligeirou-se o registo dos Alojamentos Locais com muita irresponsabilidade, porque se o alojamento local é uma excelente forma das pessoas aumentarem os seus rendimentos e a livre utilização da sua propriedade, há também um direito fundamental e inalienável dos outros proprietários ao silêncio e à segurança na sua Habitação. A Lei não pode diminuir um direito que é a base de uma sociedade democrática.

  11. alfredo santos diz:

    Este “Presidente” de certeza que não é “Presidente” de todos aqueles que escolheram LISBOA, para VIVER. Outros interesses se levantam. Como esta “politica” é tão financeira. Sr. Autarca-Mor, nem tudo de tem brilho é ouro. Pense mas “PESSOAS” e esqueça o imposto de turismo.

  12. O meu comentário foi apagado, viva a censura.

  13. Rui diz:

    Estou totalmente de acordo com o Medina! NÃO há excesso de turismo em Lisboa! Não inventem uma realidade que não existe. Nao comparem Lisboa, com Barcelona ou Berlim por favor. Só Barcelona, recebe mais turistas que Portugal INTEIRO!!!! Estamos a anos luz dessa realidade. A maioria dos pisos usados para alojamento de curta duração estavam VAZIOS e os predios a cair! Obviamente, as coisas têm que ser ajustadas, mas lisboa está muito melhor do que há tão só 3/4. Era deprimente passear nos bairros historicos.

    • Catarina de Macedo diz:

      São os donos dos imóveis que são responsáveis pela ruína de muitos edifícios e não os moradores. Os poucos moradores que se conseguiram aguentar em Lisboa apesar dos preços exorbitantes, estão agora a ser empurrados para fora, ou por pressão dos donos dos imóveis que agora de repente decidiram que querem renovar finalmente o imóvel mas literalmente “para inglês ver” e pela subida de preços estúpida que torna impossível a vida em Lisboa para qualquer pessoa de classe média, quanto mais baixa. As pessoas não abandonaram Lisboa, foram aqueles que se recusavam a baixar os preços para atrair gente da periferia para aqui e se recusavam a fazer obras nos imóveis e preferiam deixar tudo a cair de podre, que agora estão precisamente a remodelar tudo mas para o turismo porque já lhes cheirou a dinheiro e estão a aumentar ainda mais os preços. Os moradores não têm a culpa de nada. Só querem mesmo um sítio para morar dentro da capital que não esteja a preço de milionário e a juntar a isso a cair de podre. Como esteve estes anos todos. As pessoas não saíram de Lisboa para irem viver em bairros medíocres na periferia porque sim. Eles foram porque já antes as coisas estavam mal. E agora os poucos que resistiram a isso estão a ser cada vez mais pressionados e por isso queixam-se e com razão.

  14. Pode-se peticionar a demissão de um autarca?

  15. Jorge diz:

    «Só Barcelona, recebe mais turistas que Portugal INTEIRO!!!!»

    Importa-se de fundamentar esta afirmação?
    De acordo com o site barcelonaturisme.com, a cidade de Barcelona recebeu em 2015 cerca de 10 milhões de turistas. Ora se Portugal recebeu só no 1º semestre do ano passado 8,5 milhões de turistas, não me parece que a sua afirmação seja possível.

    • Rui diz:

      Tens razão Jorge! Desculpa, queria dizer Catalunha. Recebeu no ano passado 18 milhões de turistas estrangeiros (1/4 de todos os turistas que visitaram Espanha). Mas podes imaginar que destes 18 milhões a esmagadora maioria visitou barcelona.

      • Catarina de Macedo diz:

        E acha que Lisboa deve chegar a esses extremos? Já reparou que em Roma não há romanos a viver? Se os outros estão piores que nós então é burrice deixar as coisas andarem até ficar igual e apenas aí começar a tentar remediar. Não adianta dizer “ah mas as coisas lá ainda estão piores”. Então isso quer dizer que a ideia é que enquanto os outros estiverem assim pior aqui pode-se continuar até chegar a esse ponto? Deve-se começar a gerir as coisas agora e aprender com o que aconteceu nos outros locais.

        • José Júlio da Costa-Pereira diz:

          lógicasmente.Mas não esquecer que somos:”depois da casa roubada…..”

        • Rui diz:

          Olá Catarina!
          Não, não acho que se deva chegar a esse extremo. Até porque vivi em Barcelona de 2012 a 2016 e é insuportável. O que acho um exagero é comparar lisboa com barcelona, veneza ou roma. O turismo em lisboa é incipiente, que não se diabolize porque é necessário. Se começam a haver distorções/excessos em alguns bairros que se tomem medidas para corrigir essas situações. Só não aceito é que as pessoas digam que o turismo é o responsável por todos os problemas de lisboa, quando neste momento é a salvação do Pais!

  16. Estamos feitos. Este presidente devia experimentar morar uns dias num prédio que passou a pensão, depois de vários andares terem sido comprados por investidores em alojamento local. Malas rodam pelas escadas a qualquer hora, a porta de entrada está sempre aberta, as escadas sujas e ninguém se preocupa onde colocar o lixo. É uma alegria e um sossego. E a quem se vai uma pessoa queixar? Ao condomínio

    • José Júlio da Costa-Pereira diz:

      Se em condominio a dificuldade com condominos residentes e/ou arrendatários destes,sabe Deus,o que obriga a grande energia e alguma diplomacia por parte do administrador,calcula-se o que seja com os tais turistas de pé descalço….Esta gente que pretende governar os burgos,são uns idiotas e uns ignorantes,para não adjectivar mais e ser malcriado.Arre, estou farto desta gente e as todos os niveis de governação.

  17. E o condomínio o que faz? Chama a atenção dos donos dos alojamentos, que por sua vez nada fazem, a não ser chamar a atenção dos hóspedes, que mudam a cada semana..

  18. classe criativa diz:

    quais familias que vivem destes rendimentos….
    conheci bem o meio e uma corja de gananciosos que mortos teriam alguma utilidade(estrume, comida para cão)
    lisboa para as artes para as gentes que aqui vivem cada dia de suas vidas
    politicos e gentes de ganancia morram finalmente fartos de tanta abundancia

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