Hotéis e eventos tornam estacionamento junto ao Parque Eduardo VII “um inferno”

por • 9 Fevereiro, 2017 • Actualidade, Segunda ChamadaComentários (2)473

Todos os dias é a mesma coisa. Voltas e mais voltas ao quarteirão, em busca de um lugar para estacionar o carro. O selo de residente colado ao pára-brisas é garantia de pouco mais do que um suspiro de alívio quando o tal lugar, por fim, surge. Os moradores e empresários do Bairro do Alto do Parque, junto ao Parque Eduardo VII, vão começar a viver um pouco menos ansiosos por causa da escassez de estacionamento. Isto porque aquela área passará, dentro em breve, a ser considerada uma zona vermelha da EMEL, com o consequente aumento das tarifas aplicadas – as quais verão a sua vigência alargada até à 1h da manhã, nos dias de semana, e aos sábados, até às 13h. Uma alteração votada esta quinta-feira (9 de fevereiro) pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), mas considerada insuficiente pelo CDS-PP, partido que tem denunciado a situação desde o mês passado.

 

As razões para o actual cenário de manifesto desequilíbrio entre a procura e a oferta de lugares de estacionamento naquela zona da cidade, junto ao Marquês de Pombal, estão, antes de mais, relacionadas com a sua óbvia centralidade. A área – identificada pela EMEL como a Zona de Estacionamento de Duração Limitada (ZEDL) nº21 – é procurada por muita gente vinda de fora. Quando tais deslocações são feitas em veículo particular, isso tem claras consequências para os moradores. A Rua Castilho e imediações estão sujeitas a um pressão cada vez maior, reconhece a proposta de alteração tarifária assinada pelo vereador Manuel Salgado, referindo que “têm sido apresentadas junto da CML várias queixas e reclamações relativamente a estacionamento abusivo e à inexistência de lugares disponíveis para residentes”. Muitos dos residentes, apesar do dístico, não conseguem encontrar lugar, nem dia nem de noite.

 

 

Logo de seguida, o documento especifica: “Estas queixas e reclamações incidem precisamente sobre o excesso de utilização por parte de veículos de não moradores, que utilizam os lugares de estacionamento disponíveis para estacionar os seus veículos nas suas deslocações aos estabelecimentos comerciais, unidades hoteleiras e serviços existentes na zona, bem como para assistir a eventos que ocorrem, ao longo do ano, no Parque Eduardo VII e que atraem grande número de pessoas”. Essa é a razão que fundamenta a mudança das tarifas e dos horários numa área onde estão incluídas Rua da Artilharia I, Rua Marques da Fronteira, Rua Castilho, Rua Rodrigo da Fonseca, Rua Francisco Manuel de Melo, Rua Padre António Vieira, Rua Sampaio e Pina e Rua Marquês de Subserra. Quando entrarem em vigor, as novas regras tornarão mais difícil o estacionamento aos não residentes.

 

A ideia é, claro, proteger os moradores. Algo que, porém, o CDS-PP diz não estar ainda salvaguardado com esta medida. “A proposta da câmara vem de encontro ao que reclamamos, mas acaba por ser um paliativo e ficar muito aquém das expectativas e das reais necessidades dos residentes”, considera o vereador João Gonçalves Pereira, aludindo ao que considera serem as reais necessidades de parqueamento daquele bairro situado mesmo ao lado do Parque Eduardo VII – e detectadas em reuniões com os moradores.

 

Numa moção apresentada pelo partido, e aprovada por unanimidade do executivo camarário, a 19 de janeiro, ficou estabelecida a necessidade de avaliar a criação de bolsas de estacionamento exclusivo para residentes, como acontece já noutros bairros da capital. Poderiam assim surgir 395 novos lugares destinados a moradores, de acordo com a proposta centrista, votada por todos os vereadores. Algo que, nota Gonçalves Pereira, não se reflecte na proposta agora apresentada pela autarquia.

 

O vereador centrista considera, por isso, a alteração bem-vinda, mas pouco ambiciosa. E vai mais longe. “Penso que a postura da câmara liderada por Fernando Medina reflecte uma certa fobia ao automóvel, eliminando lugares e faixas de rodagem em diversos locais”, afirma. Questionado por O Corvo sobre a necessidade de reduzir o número de veículos ligeiros a circular na capital, João Gonçalves Pereira diz que concorda com esse objectivo, mas apenas quando se registar uma “efectiva melhoria da rede de transportes públicos”. “Só quando isso acontecer é que faz sentido dar o passo seguinte. A realidade é que, neste momento, muita gente precisa do automóvel para fazer a sua vida”, diz.

 

Texto: Samuel Alemão

 

Pin It

Textos Relacionados

2 Responses to Hotéis e eventos tornam estacionamento junto ao Parque Eduardo VII “um inferno”

  1. Rui diz:

    “A proposta da câmara vem de encontro ao que reclamamos, ……necessidades dos residentes”,
    Samuel da próxima vez que entrevistar o vereador do CDS diga-lhe que deixe de fazer politica e volte aos bancos da escola. Que aprenda a diferença entre ” vem de encontro” e ” vem ao encontro” .

  2. Álvaro Pereira diz:

    Existe um outro problema no Parque Eduardo VII do qual poucos falam: o terminal rodoviário, que não tem condições absolutamente nenhumas.
    Eu já sugeri fazer um terminal rodoviário em Entre Campos e colocarem-se lá os terminais de Praça de Espanha, Parque Eduardo VII e parte do Campo Grande. Mantenho essa sugestão do terminal, mas as carreiras que estão no Parque podem ser antes transferidas para junto da estação ferroviária de Campolide, onde terá ligação com o comboio e também está prevista uma estação de metro.
    Sei que as carreiras da Praça de Espanha estão previstas passarem para Sete Rios, que em princípio é uma boa ideia.
    E parte das carreiras do Campo Grande iria para esse terminal em Entre Campos, que já está planeado desde os anos 1960. Claro que o projecto teria de ser actualizado.

    Os meus cumprimentos!

    Álvaro Pereira

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *