Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores

por • 10 Maio, 2016 • Actualidade, Segunda ChamadaComentários (14)1067

Está marcado para as 18h30 desta terça-feira (10 de maio), no Marquês de Pombal, mas visa afirmar uma posição de contestação a um projecto que promete revolucionar todo o Eixo Central de Lisboa, entre aquela praça e Entrecampos. O “primeiro de muitos” protestos contra os trabalhos de requalificação do espaço público das avenidas Fontes Pereira de Melo e da República e da Praça do Saldanha surge em forma de buzinão.

 

A manifestação é organizada por um grupo de cidadãos, que se mobilizou através da conta de Facebook Lisboa Estaleiro Eleitoral. Mas a realização da mesma já está a ser alvo de muita contestação no mural dessa página. E, apesar de endossada pelo vereador do CDS-PP, nem sequer conta com o apoio da Associação de Moradores das Avenidas Novas, que se diz satisfeita com as alterações feitas pela Câmara Municipal de Lisboa ao projecto original.

 

Convocado no final da semana passada, o protesto dá voz ao que os seus dinamizadores dizem ser um crescente descontentamento “contra o bloqueio da cidade de Lisboa por uma obra eleitoralista mal planeada”. Em poucos dias, a página que promove a iniciativa de contestação à obra iniciada há uma semana encheu-se de comentários, contra e a favor o protesto. As trocas de argumentos tornaram-se encarniçadas. Tanto que, ao final da noite de domingo, os gestores da página sentiram necessidade de publicar um aviso, em jeito de justificação.

 

“Este é um movimento que protesta contra a forma precipitada como as obras estão a ser executadas, sem calendário e sem informação. A CML dispôs de muito tempo para planear estas obras de modo faseado. Não entendemos a urgência a 16 meses das eleições! Não insultamos ninguém e não admitimos insultos. Temos todo o direito de não aceitar a ditadura do silêncio. Todos os que não concordam connosco são livres de não buzinar mas tenham respeito pela diferença! Serão banidos todos os que venham a este mural insultar ou provocar!”, lê-se na página criada para promover o buzinão.

 

Ao Corvo, Francisco Teixeira, um dos organizadores, informa que se trata de um “grupo de pessoas de Lisboa que estão muito apreensivas com o que está já a acontecer e com o que irá acontecer”. “Ninguém põe em causa a bondade da obra. Mas não sabemos se vai ser útil e não temos nenhuma informação concreta sobre o projecto – concretamente, como vão fazer passar ali uma ciclovia -, nem os efeitos finais desta intervenção. Estive presente em duas sessões de esclarecimento e, sinceramente, fui ficando cada vez mais apreensivo”, afirma o morador da zona da Praça de Londres, para quem a mobilidade e o estacionamento, no final, ficarão bastante prejudicados com a empreitada agora iniciada.

 

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Francisco Teixeira afirma mesmo estar com “muito receio”. “Tudo isto me assusta. Se eu tiver de levar o meu filho a uma emergência médica, como é que faço? Ou se o meu pai me quiser visitar? Além disso, esquecem-se que Lisboa é uma cidade muito envelhecida. Falam em ciclovias, mas está a ver uma pessoa de 70 anos a começar a andar agora de bicicleta?”, pergunta, antes de dizer que “tudo o que seja retirar estacionamento numa cidade com a estrutura e a complexidade de Lisboa se revela pouco sensato”. Este será o primeiro de muitos protestos, promete. “Não nos quiseram ouvir, por isso, agora vão ter de nos ouvir”, diz, sugerindo o mote do buzinão.

 

O grupo diz-se desvinculado de partidos, mas conta com o apoio público do vereador João Gonçalves Pereira (CDS-PP), que se tem assumido como a mais audível voz de contestação ao projecto, desde que ele foi apresentado, no final do verão de 2015. Ao Corvo , Gonçalves Pereira explica que foi abordado por “um grupo de lisboetas que estavam muito indignados e preocupados com estas obras”. E fizeram-nos porque, entende, reconhecem nele uma evidente voz crítica ao projecto em causa, tendo sido o único membro da vereação a dar voto negativo à sua realização.

 

De acordo com o eleito centrista, os motivos de apreensão das pessoas que se mobilizaram para protestar são dois. “Por um lado, existe um grande desconhecimento da população em relação ao projecto, uma grande falta de informação”, mesmo apesar das diversas sessões públicas de esclarecimento sobre o mesmo, entende. “Por outro lado, muita gente entende que a obra representa um erro grave, tanto em termos de solução final, especialmente pelos problemas que trará tanto ao nível do estacionamento que vai desaparecer, como dos sérios problemas de circulação que trará”, considera.

 

As palavras de Gonçalves Pereira surgem, porém, algo desacompanhadas, se se tiver em atenção que o protesto nem sequer é apoiado pela Associação de Moradores das Avenidas Novas. “Não estamos nem a favor, nem contra. O protesto é um exercício de liberdade em democracia. Mas nós não estamos envolvidos de maneira alguma na manifestação”, diz ao Corvo José Soares, o presidente da direcção da associação, que se confessa empenhado em “continuar a tentar a chegar a um consenso com a Câmara de Lisboa”.

 

Tanto que a associação se mostra satisfeita com o facto de “a câmara ter voltado atrás na questão do estacionamento, que afinal já não perderá os lugares que se disse que ia perder, bem como na opção por uma ciclovia dupla na Avenida da República, em vez de se fazerem duas vias, que iriam roubar ainda mais lugares”. “Os problemas poderão estar, nesse aspecto, mitigados. Mas continuaremos atentos”, afirma José Soares, que terá, poucas horas antes do buzinão de hoje, a primeira de várias reuniões de acompanhamento da obra, com os responsáveis do departamento de mobilidade da CML e da empresa responsável pelos trabalhos. Nela aproveitará para sugerir melhorias ao nível da mobilidade pedonal, durante o decurso dos trabalhos.

 

José Soares, que diz compreender que uma obra desta dimensão “traga constrangimentos”, confessa-se sem vontade de enveredar por protestos como o buzinão desta terça-feira e prefere acompanhar o desenrolar dos trabalhos de forma crítica, em defesa dos moradores. “O que nos interessa é a participação cívica. Tudo o resto é do foro político. Por isso, deixemos isso para os políticos”, afirma.

 

Texto: Samuel Alemão

 

 

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14 Responses to Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores https://t.co/bOtQIgVByy #lisboa

  2. Vale a pena ler as declarações do Presidente da Associação de Moradores sobre as obras no Eixo Central. https://t.co/2X6vOtw0ZE

  3. Porque será que no início há sempre uma enorme resistência ás obras, mas no final acabam sempre por dizer: Ah…Ficou tão giro”

  4. Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores | O Corvo |… https://t.co/3vOTfnWgqs

  5. Pedro diz:

    Estes tipos se tivessem vivido no sec XIX de certeza que tambem se manisfestariam quando alcatroaram em lisboa as ruas que eram de terra batida!

  6. viva as obras…a cidade devolvida às pessoass.

  7. Vasco diz:

    O Buzinão foi um fiasco 😀

  8. Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores
    https://t.co/Bn9URX7ltx
    @ocorvo_noticias

  9. RT @RebeloNuno: Buzinão contra obras no Eixo Central não tem o apoio da associação de moradores
    https://t.co/Bn9URX7ltx
    @ocorvo_noticias

  10. As obras para o CDS não se devem fazer porque Assunção Cristas vai se candidatar à CML e depois coitada fica sem nenhuma ,o buzinao não funcionou arranjem outra.

  11. Jonas com pernas diz:

    A Avenida da Republica tem faixas de rodagem a mais. Basta tirar uma faixa em cada lado das zonas laterais, para se poder fazer uma ciclovia de sentido único em cada lado e ainda uma fila de àrvores. Sobre o estacionamento, há imensos parques subterrâneos. Estacionamento não falta nessa zona. Os moradores podem sempre deixar o carro numa zona mais longe e fazer o percurso a pé até casa, que só faz é bem à saude e ao corpo. Qualquer carro de morador tem selo de isenção de parquímetros e tem muito por onde procurar.

    O que não há desculpa são as banheiras particulares fumegantes (refiro-me apenas à banheira particular, não ao carro de mercadorias e a qualquer outro que esteja em trabalho e leve carga) que entram diariamente a poluir a cidade, quando transportes públicos não faltam.

    A zona de Arroios está bem pior. Esperemos que a próxima iniciativa seja a de reduzir a Av. Almirante Reis para uma faixa de cada lado (com mais uma para os T.P.s) por forma a reduzir a poluição e os terríveis acidentes rodoviários que lá acontecem durante a noite.

  12. Vasco diz:

    O CDS quer transformar isto numa luta da Direita contra a Esquerda. A requalificação de uma avenida nada tem a ver com direitas ou esquerdas. É um projecto de urbanismo bem visto em qualquer lugar do mundo, não importa o partido.

  13. Pedro Vaz diz:

    A questão nem sequer é a obra em si, mas a necessidade de fazer a mesma de uma só vez. Obras desta envergadura devem ser feitas de forma faseada de maneira a que o impacto na vida dos cidadãos seja o menor possível. Já alguém reparou quantas faixas de “bus” desapareceram na cidade nos últimos anos? E ciclovias para quê? Eu círculo em Lisboa todos os dias e por várias zonas devido à minha profissão, bicicletas na via pública são mais que muitas, nas ciclovias contam-se pelos dedos de uma mão.