Prédio devoluto e em ruínas em risco de cair para cima de um infantário

por • 20 Abril, 2015 • Reportagem, SlideshowComentários (2)1826

Um prédio na esquina da Travessa do Abarracamento de Peniche com a Rua da Palmeira, a poucos metros do Príncipe Real, está a cair aos bocados, literalmente. A situação não é inédita, uma vez que há inúmeros prédios em ruínas no centro de Lisboa, mas, neste caso, assume grande gravidade: paredes-meias com o referido prédio, funciona uma creche, a ADECO, pertencente à Associação da Comunidade da Freguesia das Mercês (hoje integrada na freguesia da Misericórdia), que teve que colocar uma divisória metálica para proteger o pátio das traseiras onde as crianças brincam, não vá um bocado da estrutura arruinada desprender-se e atingir alguém.

 

 

A situação arrasta-se pelo menos desde 2011, ano em que o prédio – que tem duas portas, uma com o número 23 da Travessa do Abarracamento de Peniche e a outra com o nº 9 da Rua da Palmeira – ficou devoluto, após a saída da última inquilina. Alguns “okupas” chegaram a habitá-lo durante algum tempo, mas foram retirados pela polícia e bombeiros. Há cerca de dois anos, as janelas do rés-do-chão foram entaipadas com tijolos, mas o mesmo não aconteceu com a porta de entrada, fechada com um cadeado que se pode abrir facilmente. Mas, hoje em dia, já ninguém poderia habitar dentro da velha estrutura.

 

 

Maria de Fátima, moradora num prédio vizinho, do qual se avista o topo do edifício em ruínas, afirma que o telhado quase desapareceu e que as traves que o suportavam abateram, formando uma espécie de “V” e deixando, por isso, as paredes exteriores em riscos de colapsar. “Muitas vezes, acordo de noite com estrondos, vindos do prédio, parecem coisas pesadas a cair, lá dentro”, afirma.

 

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Orlanda Ramos, a educadora que dirige o infantário – situado no número 11 da Rua da Palmeira -, diz que alguns vidros das janelas do prédio foram projectados para o meio da rua, que caem pedaços da fachada no passeio e que, constantemente, se ouvem barulhos de coisas a tombar, dentro do prédio em ruínas. O qual, além disso, está a causar infiltrações no infantário da ADECO.

 

“Queixámo-nos à Junta de Freguesia [da Misericórdia], que disse que o assunto era com a câmara Municipal de Lisboa (CML). Telefonámos e enviámos “mails” à Câmara, a relatar o que se passava, e parece que foram enviados processos de identificação dos proprietários, mas nada sabemos ao certo. Tanto quanto sabemos, o prédio pertence a doze herdeiros que não se entendem. Tivemos informação de que um dos herdeiros é um embaixador, e que este, quando a Câmara ameaçou fazer alguma coisa ao prédio, não sabemos o quê, disse que ia fazer obras. Nada aconteceu depois. Andamos nisto há anos”, afirma Orlanda Ramos.

 

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O que foi feito, então, pelas autoridades, no sentido de proteger o infantário, desde que a situação se agravou, há pelo menos quatro anos? “Veio a Protecção Civil pôr umas fitas à volta do prédio, mas essas fitas depressa desapareceram, retiradas pelas pessoas que punham os carros em cima do passeio. Agora já não o fazem, há uma grade de metal a tapar a frente do prédio. A grade [amovível] chega junto à nosso porta, mas é um problema para os pais entrarem aqui com os carrinhos dos bébés. Além de que têm que atravessar obrigatoriamente a rua, não podem parar à porta. Foi preciso mudar a passadeira dos peões. Só problemas, que não se resolvem. O que podemos dizer é que isto está tudo muito perigoso”.

 

 

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O Corvo contactou o gabinete de imprensa da CML, na tarde da passada sexta-feira, tentando saber quais as soluções pensadas para esta situação, mas a resposta ainda não chegou, o que é compreensível, dado o adiantado da hora a que o contacto foi realizado.

 

 

Texto: Isabel Braga          Fotografias: Fernando Faria

 

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2 Responses to Prédio devoluto e em ruínas em risco de cair para cima de um infantário

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Prédio devoluto e em ruínas em risco de cair para cima de um infantário http://t.co/gelagJPNTZ

  2. – Lisboa tem mihares de prédios devolutos e em ruinas.
    – Lisboa tem milhares de sem-abrigos, também eles “em… http://t.co/NWfG4G9UWg