Câmara Municipal de Lisboa reconhece dificuldade em manter a cidade limpa

por • 28 Maio, 2014 • Actualidade, SlideshowComentários (4)2206

O lixo acumulado nas ruas, sobretudo junto dos ecopontos, é um cenário comum a várias zonas de Lisboa. E a Câmara Municipal de Lisboa (CML) admite agora que está a ter dificuldades em resolver o problema, queixando-se da carência de meios humanos. Tanto que até vai abrir, em breve, um concurso público para a admissão de mais meia-centena de cantoneiros. As falhas verificadas, diz a autarquia, estão relacionadas com a desigualdade de critério na divisão dos funcionários entre a câmara e as juntas de freguesia, decorrente do processo de reforma administrativa da cidade. A oposição, em especial o PSD e o PCP, acusa a câmara de incompetência e falta de planeamento.

O presidente da câmara queixa-se dessa falta de meios humanos, que se tornou mais evidente a partir do momento em que se procedeu à passagem de trabahadores dos quadros camarários para os das juntas de freguesia. António Costa, que falava durante a reunião pública do executivo, na tarde desta quarta-feira, diz mesmo que “umas das vantagens deste processo foi destapar este problema”. O presidente do município disse que, “ao fazer-se a transferência de meios para as juntas, o que se pôde constatar foi que grande parte dos meios não era utilizada na limpeza e na varredura, mas antes estava a ser usada para outras funções, nomeadamente nas recolhas junto aos ecopontos”. E agora faltam meios.

Para reforçar o que dizia, Costa utilizou até como termo de comparação o Parque das Nações, cujo sistema de recolha de lixo e varredura do espaço público é assegurado por uma empresa privada. “Desde que assumimos a gestão do Parque das Nações, ficámos com a clara ideia de que a câmara municipal não tem excesso de recursos. Os meios da entidade privada a operar no Parque das Nações são superiores, a diversos níveis e comparativamente, aos que utilizamos na recolha de resíduos sólidos no resto da cidade”, alega o presidente da autarquia da capital. Costa garantiu que costuma andar a pé pela cidade e, por isso, está a acompanhar de perto os esforços feitos pelos serviços para tentar resolver as carências sentidas neste campo.

Antes dele, já o vereador responsável pelos serviços de Higiene, Duarte Cordeiro, respondendo às críticas do vereador social-democrata António Prôa, prometera um esforço suplementar para corrigir o que está a correr mal. “Não consideramos que os meios humanos sejam totalmente adequados, é necessário reforçá-los”, disse Cordeiro, antes de admitir que os ecopontos “são um ponto sensível”. “Não está a correr bem neste campo. Teremos que ser mais rápidos nas recolhas”, reconheceu, antes de desabafar: “Também é verdade que não percebíamos que havia um comportamente tão pouco cívico por parte de alguns cidadãos, mas tal ficou agora a nú”. O vereador garantiu, porém, que está a ser feita uma avaliação atenta de todo o problema e promete acções para breve.

Em seu auxílio, Fernando Medina, vice-presidente da autarquia e responsável pelo pelouro das finanças, informou que a câmara se prepara para abrir um concurso para a admissão de 50 cantoneiros para estas funções, dando assim resposta à iminência da aposentação de igual número de trabalhadores – a que acrescerá a contratação de mais 59 bombeiros. Medina queixou-se da “pouco igualitária” e “não homogénea” divisão de pessoal ocorrida com a reforma administrativa da cidade e a decorrente transferência de meios para as juntas. Recordou que a câmara ficou, sobretudo, com os trabalhadores mais velhos e, muitos deles, com diversos graus de incapacidade.

O reconhecimento das falhas por parte do executivo surgiu após uma forte censura do vereador António Prôa (PSD) à actual incapacidade da CML em manter a cidade limpa – e que, para o provar, foi acompanhada da apresentação de várias fotografias. “O problema da acumulação de lixo não é novo, é conjuntural e sistemático. Mas há um marco a partir do qual a situação piorou, que foi a transferência de competências para as juntas. A câmara não se soube adaptar às circunstâncias decorrentes das suas responsabilidades, ao contrário das juntas”, acusou o eleito social-democrata. “Este é um dos problemas principais da cidade, preocupante não só para quem cá vive, mas também muito mau para a sua imagem perante os turistas”, diz Prôa.

Também os veredores comunistas lamentaram a manifesta falta de capacidade dos serviços camarários para dar conta de uma das suas mais elementares incumbências. Tanto João Ferreira como Carlos Moura lembraram que já tinham avisado que tal poderia vir a acontecer, na sequência da transferência de recursos humanos do município para as juntas de freguesia – à qual o PCP se opôs. “Alertámos para este problema há muito”, fez notar João Ferreira, antes de comentar que a anunciada contratação dos 50 cantoneiros será uma fraca resposta à escassez de trabalhadores, pois existem cerca de 300 vagas por preencher nos quadros do município. Além disso, disse, os novos contratados limitar-se-ão a substituir a meia-centena que se prepara para entrar na reforma.

 

Texto: Samuel Alemão

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4 Responses to Câmara Municipal de Lisboa reconhece dificuldade em manter a cidade limpa

  1. O problema é da falta de meios e da população que coloca sacos de lixo junto dos troncos das árvores, uma coisa inacreditável. Para não falar junto dos ecopontos. Quase todos os dias venho do aeroporto até ao Marquês de Pombal e existe lixo junto dos ecopontos e dos troncos de árvores. No Lumiar na entrada do metro na Estrada da Torre quase sempre está lixo junto do tronco de uma árvore. As pessoas também são culpadas.

  2. Isso é tudo muito bonito, mas as pessoas não tem alternativas, no meu caso que vivo no Bairro Alto, não há caixotes de lixo, so os bares tem direito a caixotes e estão fechados à chave, onde normalmente colocam garrafas, todo o restante lixo tem que ser colocado no chao pelos cantos das ruas! Ninguem no seu perfeito juízo iria colocar lixo junto de ecopontos, estando estes vazios ou no chao havendo caixotes disponiveis.

  3. além disso o publico é porco e preguiçoso..é mais fácil deixar tudo no chão ao lado do ecoponto do que desfazer e colocar lá dentro, ou no caso de estar cheio, tornar a levar para casa ou empresa…Devia de haver mais fiscalização , pois quem suja Lisboa são os lisboetas..

  4. O reconhecimento das falhas por parte do executivo surgiu após uma forte censura do vereador António Prôa (PSD) à… http://t.co/EwAqkPaSyb